O Corte do Zumbi

março 15, 2017

Filed under: Uncategorized — Binho @ 10:37 pm

Uma rosa nasceu nos meus desejos num dia sem muito sol.

 

Era só o que faltava e nada mais era meu. Teu cigarro acabou.

Pois se ainda é tarde pra compreender o amor,  como vou me deitar.

Se não lhe couber o que tem pra nos dois me dê um pouco de amor

Largue a vontade sentada no sofá e deixe a comida esfriar.

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novembro 5, 2015

Um copo d´água

Filed under: Uncategorized — Binho @ 4:34 pm

março 27, 2014

NED I

Filed under: Uncategorized — Binho @ 12:09 am

Ned era alguma coisa diferente. Hoje estava exausto. Desta vez não teve pesadelos nem dormiu. Cansado da claustrofobia de seu destino, vagava de volta pra casa. O fardo da existência era enorme. Colossal. Sentia-se empurrado pelo vento andando devagar pela rua 7. Pesado com o suor frio de seu mundo, vazio e inóspito. Longínquo de tudo. Ele viu um pássaro cantando. O céu estava carregado e mesmo assim aquilo cantava. Ele contemplou o pássaro. Percebeu que o amor estava lá mas não podia alcança-lo. Nessa ele virou a esquina e avistou uma pedra. Fustigado em sua caminhada percebeu que mesmo amando, não haveria forças suficientes pra sustenta-la. O tempo é curto. Desanimado consigo mesmo, antes de chegar na fonte em frente ao açougue de aves, viu que havia um jardim e ninguém o cultivava. Deveria ser uma casa abandonada. Observou uma enorme flor de maracujá solitária no matagal, e tentou apanha-la. Ao toca-la, sentiu o corte frio da solitude dos espinhos em sua alma. Olhou seu dedo e havia sangue. Neste momento sentou na guia da calçada. Acendeu seu cigarro amassado e contemplou o momento. Ned compreendeu o amor.

Passado alguns minutos. Ou horas. Não sabia ao certo. Sabia apenas o que tinha que fazer. Ned se levantou. Jogou a bituca fora. Estapeou a bermuda. Sentia algo diferente. Desejou isso. Refez seus passou. Apanhou a flor e não se importou com o corte. O sangue jorrou. Segurou firmemente desta vez. Com o pouco de força que ainda restara viu suas veias saltarem ao levantar a pedra. Avistou o pássaro. E lá estava aquela merda cantando. Não hesitou. A pedra voou e acertou a nuca do passarinho. Não deu tempo. O pássaro caiu morto no chão. Dava pra ver os olhos saltados pra fora com o impacto. Com as mão sujas de sangue. Ajoelhou na terra e cavou um buraco. Enterrou seu canto ali. Sustentou a pedra no tumulo. E indiferentemente deixou a flor tocar a lápide. Ned compreendeu o que havia se tornado.

Acendeu mais um amassado cigarro.

janeiro 22, 2014

Acordo

Filed under: Uncategorized — Binho @ 3:44 pm

Acordo.

Existe vida e a tristeza. E há o dia. Comum. Perene de ser o dia. Perfeito feito o café quente. O leite morno. O pão crocante. A manteiga. E a solidão.

Estou cansado.

Por muito tempo dialoguei com todos. Muitos me consideram como um amigo. O que mais surpreende talvez na humanidade. É a capacidade de se revelar humana.

Desânimo.

Tomo fôlego. Penso. Devoto em mim forças exauridas. Pois o “Eu” não existe sem o outro. E quem não é uma merda? Eu desconheço.

Tristeza.

Talvez o fato de vivermos durante tanto tempo. Delineando a verdade. Nos forja o abandono. A merda. O tempo ganha.

Velhice.

Meus cabelos são fortes. Raízes profundas. Negros feito as retinas de um Cavalo. Porém é na escuridão que nossas luzes feéricas resplandecem.

Caminho até o trabalho.

Existo. Continuo. Oito horas a fio. Peço que me esqueçam por favor.

Existo.

Na noite anterior li algumas cartas. Nada me afeta. A não ser aquela pequena miséria: o Amor. Ela e nenhuma outra. Permaneço fiel a perspectiva da solidão.
Completei todo o ciclo. Insuportável. Sinto não pertencer a nenhum lugar. Os sentimentos atrasam. Tenho cem anos e o parafuso da porta do meu armário se soltou. É necessário fazer um enxerto na madeira. Corto um Castilho com um milímetro menor que a profundidade do furo. A cola de madeira cura em vinte quatro horas. A epóxi demora menos. Cianoacrilato é rápido. Em 5 minutos conserto um problema. Vou até a cozinha bebo um copo d’água. Não faz diferença. É só mais um copo desses que beberei a vida inteira. Olho a torneira pingando. Nada dura pra sempre. Como irei morrer? Abro a geladeira. Penso no que devo fazer. Nessa encaro a minha vida. Como se fosse um espelho. A sombra. Penso em visitar a velha chácara do meu pai.

Havia uma árvore frente a casinha simples. Uma gigantesca sombra na varanda. O ar fresco que não cessa nunca. Manga coração de boi. Cana-de-açúcar. Não era uma plantação, simplesmente algumas distribuídas no terreno. Decepava nos dentes a casca. Mascava. Geralmente as que têm flor são as mais docinhas. Observo a árvore a frente. A casinha de joão de barro que sempre existiu. Nunca vi. Dizem que ele mata sufocada a esposa na própria casa de barro. Lanço pedras pra ver se destruo a casa. Indiferente. Aquela merda não cai!

Volto à estaca zero. Estou na sala. Sinto o desprezo percorrer a televisão. Mudo de canal. Me deito no sofá de duas poltronas. Sou maior que ele. As pernas ficam sobram sobre os apoios. Olho meus pés. Quanto tempo se passou desde a última vez que a vi? Gostaria saber o que teria a dizer. O errado sempre fui Eu. Disse palavras de mais. Sempre sorri. Como se fosse a desilusão de um dia. Nessa, ela não perdoou. Alguma coisa faltou ao medo. Tempo curto demais pra deixar secar as resinas da desconstrução.

É tarde pois o sol já se foi. O mesmo sol que permeou os dias felizes de minha vida. Ainda sou feliz. Mas com sol, eu era mais. Não sou feliz. A felicidade é apenas um momento. A perfeição é somente um momento. E tudo que possamos esperar dela é somente um instante. Não existe felicidade. Primeiro verso dos Eclesiastes: “Tudo é vaidade, tudo é vaidade”. O que sou?
Existe um peixinho beta que alimento. Ele vive num aquário. Ele não existe. Vive dentro de mim. Duas bolinhas ao amanhecer. Duas bolinhas ao anoitecer. Diferente da maioria dos animais. Não há som. Um grito sequer. Quiçá uma sábia palavra. Toda sua vida consiste no olhar. Olho-de-peixe. Morto. Fixo. Espiritual. Certa vez pensei em fugir de casa quando moço. Ele se virou até mim. Encarou fixamente meus olhos. A eternidade dura um segundo apenas. Desisti.

Deito na cama.

Durmo. E que sono!

Sonho.

Nesta estou nadando numa piscina. Alguém me persegue. Nado até a borda. É uma mancha. Com muita força saio da piscina. Parece uma neblina. Está embaçado. Corro. Olho pra trás diversas vezes. Quer me matar. Ando rápido. Não aguento mais fugir. Esse vulto me encontra. Me desespero. Só há paredes. Não tem como escapar. Uma presa acuada e imensamente com medo. Esse ser é verde musgo. Lodo talvez. E como disse embaçado. A foice ataca.

Acordo.

Não há ninguém em casa. Escuto o barulho do compressor da geladeira. Lembro que deixei um pedaço de lasanha sobrando. Esquento no micro-ondas. O queijo derrete. Corto uma gigantesca fatia. Estou com muita fome. Coloco no prato. Azeite. Mostarda. E devoro.

Como.

A comida é uma paz. As cores voltam. O tempo fica leve. Meu corpo relaxa. Acendo um cigarro.

A janela está aberta.

janeiro 21, 2014

Invisivisivisvisivisivisibilidade

Filed under: Uncategorized — Binho @ 10:09 pm

Todo mundo nasce numa cidade qualquer. Pequena em seus carrinhos de pipoca depois da missa. E imensos corações daquele vilarejo. Certa vez essa cidade estufou o peito, levantou da cadeira e viu a tarde passar naquela vendinha que é caminho pra comprar pão de manhã. Ninguém notou. Porém, nos sentimos obrigados a devolver aquela rua que esquecemos o nome.

Moi

Filed under: Uncategorized — Binho @ 10:03 pm

A vida de um filho da puta. Escreve filha da putagem. Ama as onze da noite. Despreza as seis da tarde. Uma hora depois está novamente sendo um fraco. Covarde. É um filha da puta mesmo.

dezembro 9, 2013

Kid A

Filed under: Uncategorized — Binho @ 12:35 am

Este disco foi meu companheiro de ônibus sp>itajubá e itajubá/sp durante um ano. Todo final de semana. Por tantas vezes escutei quando a serra mudava a paisagem. Enquanto aquela merda de ar condicionado soprava nossa inexistência. Escutei tantas vezes que nem sei mais se é o disco ou se foi a minha solidão que mudou. Durante toda a viagem muitas vezes sonhava e acordava. As vezes não sabia se entrava numa outra realidade. Psicose. Ou se era a realidade em si. Tudo tinha um sabor etéreo. De algo sem cor. Na estrada cinza o nosso descompasso. Experimente este disco. Talvez haja um reflexo seu. Naquele vidro embassado. Naquelas luzes ofuscantes e borradas. Avisando que você é apenas um garotinho nota A. E que o melhor que pode tentar fazer não é suficiente.

 

Prostitutas também amam

Filed under: Uncategorized — Binho @ 12:14 am

Para escrever desejos é preciso pecar.

– Tire a roupa!
– Sou tímido.

– Tire a roupa!

Seu perfume de erva doce trazia o frescor da cor em seu nome. Jade. Seios firmes. Pernas perfeitas. Pele macia. Durou a noite toda, embora fosse apenas meia hora. No final, alguma coisa mudou em mim. Alguma coisa mudou nela. Ela me olhou. E havia doçura em sua vida. Leveza em seu sorriso. Não sabemos o que se passou. Uma prostituta não ama. Um punk não agrada.

Ela me beijou.

novembro 17, 2013

Filed under: Uncategorized — Binho @ 6:33 pm

“O sonho é isso. A paixão de um cigarro queimando numa tragada. E a brasa se apagando em seguida. O pensamento é o mundo passando lentamente. Mudo. Debaixo d´água. O artista punk, lunático e surrealista pinta seus olhos para tentar compreender o que há. E você é linda. Uma beleza que passou e nem notamos. Com as mãos sujas de tinta. O sorriso sempre pronto. E a alma eternamente em dúvida. Por que não foi como imaginamos? Nunca é. A idéia percorre um longo caminho até chegar no barranco. A casualidade de um amor que nem percebemos. Mas que agora, aos poucos, vai se revelando sobre a luz. Pela brasa de um cigarro acesa. Na escuridão de uma noite estrelada.”

– Binho, e o destino frio de uma foto profunda

outubro 18, 2013

Filed under: Uncategorized — Binho @ 3:52 pm

“Se você está lendo isso, então isto é para você. Cada segundo perdido lendo este texto inútil é outro segundo a menos da sua vida. Você não tem outras coisas para fazer? A sua vida é tão vazia que você honestamente não consegue pensar numa maneira melhor de vivê-la? Ou você fica tão impressionado com a autoridade daqueles que a exercem sobre você? Você lê tudo o que deveria ler? Você pensa tudo o que deveria pensar? Compra tudo o que lhe dizem pra comprar? Saia do seu apartamento. Encontre alguém do sexo oposto. Pare de comprar tanto e se masturbar tanto. Peça demissão. Comece a brigar. Prove que está vivo. Se você não fizer valer pelo seu lado humano você se tornará apenas mais um número. Você foi avisado.”

 

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