O Corte do Zumbi

março 26, 2013

Gira Lua

Filed under: Uncategorized — Binho @ 1:47 am

“Prazer eu sou o Binho. Punk, Lunático e Surrealista. Meu negócio é cultura. Compreender não é concordar. Pois bem, vos apresento Gira Lua…e bla bla bla”
A coluna não eh sua?

http://tnb.art.br/rede/giralua

e de quebra:

https://www.facebook.com/projetogiralua

março 24, 2013

60 drágeas… 1 drágea ao dia.

Filed under: Uncategorized — Binho @ 5:32 am

Algo me diz que já pensei demais. Nas simples coisas casuais. Até nas coisas mais profundas. Sim. Mais alto que os oceanos. Mais profundo que as montanhas. Já me disseram várias vezes que o meu problema é que eu penso muito. Não me defendo disso. Até tento não pensar muito. Mas não tem jeito. É o diabo.

 

Senescência

Filed under: Uncategorized — Binho @ 5:23 am

“A medicina é uma religião? Deve ser, por isso que tem muitos adeptos. Veja bem, se você pecar, vai aparecer uma doença muito foda. É um inferno. Estava lendo um livro no bondão. A senhora falou:

– Você costumar ler no onibus?
– Direto
– “Uma vez eu vi um médico falando…” – nessa primeira sentança já se vê o fim – ” … quem lê no onibus, corre o risco da retina descolar dos olhos”.

Na hora eu fechei o livro, e imaginei caindo um pedaço do meu olho em cima do “Factotum”. Minha visão embassou. Comecei a ficar desesperado. Isto durou 30 segundos. Causou um transtorno na minha mente.
Logo em seguida abri o livro e continuei a ler normalmente. Pois na questão “inferno”, eu manjo muito. Estudei 9 anos em escola salesiana. Sou crismado. Catecismado. E ainda sei o “Credo” de cór. No entanto fico imaginando o pânico que a senhora deve sentir. Velha. A morte é inevitável. A força vai se exaurindo, escapando das mãos. Aos poucos o corpo vai se entregando, sem percerber. A mente não, ainda há luta. Resistência. Um dia essa senhora amou. Trabalhou a vida inteira. Praticou boas ações. Outras nem tanto. Há pecados. Há perdões. Netos. O amor novamente surge.
Mas é foda! Porrada direto. Dos interesses pessoais e sorrateiros dos filhos. Da fé. Do padre falando mal da sociedade. Da novela cheia de pessoas jovens e lindas (incluse os velhos são jovens na TV). É porrada da calçada cheio de buracos. Do medo de cair, e arrebentar todos os ossos que uma vez já se quebraram ao escorregar da escada. É muita porrada. Dos rémedios a se tomar. Da vizinha que não quer saber de você a 10 anos. Da porra daquela merda de caraio de cu de buceta de bosta de porcaria de aposentaria lazarenta.

….Mas beleza, amanhã eu acordo cedo.”

Psicose

Filed under: Uncategorized — Binho @ 5:22 am

A verdade é uma só. Os sonhos flagelados da noite passada direto distorcem a realidade. Não dá pra diferenciar a realidade do sonho. Psicose. Acordo cedo bebo água. E fico pensando em com sobrevivi aquela queda. Sim, me empurraram do edifício. Caí. Acordei caindo. Mas não acordei, nem caí.
-Como este copo veio parar na minha mão? Foda-se!
Bebo. Me visto. Verifico se peguei todos os documentos. Espero o elevador. Esqueci minha blusa. Volto. Pego ela. Tropeço e caio. Fico deitado. Imaginando os prédios. Os paralelepipedos caindo sobre mim. De repente acordo. Tem um café quentinho na minha mesa. Meu computador está ligado. Estou no trabalho.
– Como vim parar aqui?
Caindo só pode ser. As aletas do ar condicionado já estão se movendo.
– Fabinho, já entregou o relatório?
Começo a tentar lembrar do rosto que me empurrou do alto do edifício. É disforme. Conhecido. Já o vi antes. Por que me empurraria? Devo ter feito algo. Ou algo deve se ter feito em mim. Uma espécie de liberdade. Meus fantasmas me conhecem. Existe algo no meu inconsciente. Ele se move sorrateiramente diante de meus pensamentos. Um reflexo manchado. Frágil e ofuscado pelo seu brilho. Complexo e confuso. Uma vez ele me fez empurrar alguém. Acho que era alguém que amava. Um ectoplasma que sabiamente destrói minhas perspectivas. Quer se ver livre da concorrência. Afinal alguém tem que mandar. A eterna disputa da razão e do abstrato. Psicose. Novamente acordo. Estou em casa. Enxergo no horizonte uma planície. E o carpete da sala. Estirado. Sinto uma dor na costela esquerda. Deve ter sido da queda. Nem sequer me lembro do que sonhei. Pressinto apenas. Algo me empurrou. Ou é imaginação?”

Aforismas

Filed under: Uncategorized — Binho @ 5:21 am

“Anoiteceu. E como toda noite, sempre traz seus aforismas. Ás vezes é possível sentir o universo, olhando para o céu estrelado. Percebeu então que a vida o tratava indiferentemente. Ele não significava nada. Pra ninguém. Lembrou da solidão. Da tristeza. Da vida que ele disperdiçou assistindo TV. Mas disperdiçaria de qualquer modo, independente do que fizesse. Pensou na morte. Era uma noite fria. Silenciosa. Sútil. Feito seus sentimentos. A amante era a morte. Sua musa. Imaginava o sabor do veneno que ela o faria tomar quando chegasse a hora. Amargo. Feito o tempo. Feito a espera que é esperar ansiosamente o esperado. Um certo desespero acalentou seu coração. Dava pra sentir a mão que segurava sua alma no abismo. Um vento fresco tocou o seu rosto. Lhe fez esfregar as mãos.

Na manhã seguinte ele amou. Amou como se fosse a última coisa em sua vida. Se deliciava até com as questões complexas que tal sentimento causava. Questões do tipo: “Pra que amar? Irei morrer mesmo. É perda de tempo”. Mas a garota tinha seus encantos. Um carisma peculiar de uma nobre pessoa. Pernas bonitas. Um ár difícil de não querer respirar. Um certo jeito de andar. De mover seus cabelos. Sua postura, mesmo parada, era encantadora. “Ah o amor!”.

Jonas era um menino que amava. Vivia na solidão do seu amor. Teve que partir. Partiu não porque queria. Mas porque não dava pra permanecer. Não há muito o que se fazer desde então. Pegou desgosto pela vida. Se isolou em um quarto imundo e pequeno. Começou com seus olhos sizudos analisar a vida. Praguejar contra todas formas de verdade. Não acreditava mais em nada. Se perdeu em seu niilismo. Uma tristeza profunda se abateu sobre ele. Era difícil sorrir. Chegou a ficar um mês sem dizer sequer uma palavra. Começou a apreciar a melancolia. A perspectiva que a tristeza dava era única. Bem diferente da felicidade. Era algo sincero, imparcial e profundo. Com o tempo ele foi se acostumando. Se acostumou tanto que virou monótono estar triste. Desistiu da tristeza. “O que existe então? O sonho. Só assim é possível viver” – Pensou. Num mundo onde as nuvens são o solo, os sonhos são a colheita.

Jonas foi encontrado morto na manhã seguinte. ”

março 19, 2013

Só os peixes são felizes. Tudo é igual

Filed under: Uncategorized — Binho @ 2:01 am

“O barco fedia peixe. Pior do que peixe. Amendoim de rodoviária. Pior do que amendoim de rodoviária. Banco suado do ônibus. Pior do que banco suado do ônibus. Bacalhau de supermercado. Pior do que bacalhau de supermercado. Fedia em silêncio. Com aquele olho parado. Sem piscar. Sem sentimento. Embora a dor de ser fisgado pelo canto da boca, não fosse a das maiores. A boca estava aberta. Sem som. Certeza que ele gritou o máximo que pode. Mas a voz não saiu. Nunca sai. Por pior que seja o momento, por pior que seja a solidão. A voz não sai. Nunca saiu. Deve ser um som terrível de se ouvir. O primeiro peixe a falar. Quem será capaz de ouvir tamanha dor acumulada durante eras? Não creio que haja diálogo. Será somente dor. Grito agonizante. Feridas. Medo. Solidão. Nada deverá ser perdoado diante de sua verberação. Deverá rachar santos de barro ao meio. Trincar janelas da velha igreja. Disparar alarmes dos carros. Ânsia de vômito a quem passar por perto. O dono da vendinha terá que fechar as portas. Haverá alguns desmaios. As crianças não irão as aulas nessa semana. Ficarão meses dormindo com os pais. Sonharão ainda com o grito do peixe morto no cais.

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