O Corte do Zumbi

junho 16, 2013

Nothing as it seems

Filed under: Uncategorized — Binho @ 4:06 pm

“Ainda penso no que ela pensa. É psicológico? Não sei. Nem o que anda fazendo. Acordei agora pouco. E ando pensando. Como ela estará? Não faço idéia. Não penso mais. Imagino apenas o que se passa. Vou na cozinha encho o copo d’água. Bebo. Não faz diferença. É somente um copo d’água. Desses inúmeros que beberei a vida toda.”

In heaven everything is fine

Filed under: Uncategorized — Binho @ 7:13 am

“O dia hoje foi bonito. Deu pra esquecer o próprio dia nele mesmo. Uma coisa relativa, relacionado ao tempo. O tempo que passou, e nem vimos. Alguém certamente chegou em casa, se jogou no sofá e ligou a TV. É automático. Esticar as pernas e esquecer. Se esquecer. Olhando pro nada. Esvaziando a mente. O chiado nem incomoda. Pois as horas passam. E a noite chega. Trazendo a melancolia de algo esquecido. Que não serviu pra nada. Me lembrando que o dia é um vício. E o cigarro é só um hábito.”

junho 9, 2013

Apenas respirando

Filed under: Uncategorized — Binho @ 5:29 pm

“As trevas sempre aparecem quando estou em silêncio. Estava na praça, sentando num banco qualquer. Apreciando o sol. Aguardando o momento do cafézinho no vadinho. Haviam diversas crianças correndo. Estalinhos. Mães felizes com a manhã agradável. Púrpura beleza. Estava entediado. Pensando. Observado tudo. Como pode essas crianças iluminar a vida de quem quer que seja? Sincera alegria. A ponto de espantar toda a perspectiva deste mundo. Calando o silêncio das trevas. Trazendo a vida na sua forma mais cristalina e pura. Me levantei. Fui até o meu destino. O café estava quente. E escuro.”

Gados no poste

Filed under: Uncategorized — Binho @ 3:15 am

“O absurdo de viver a espreita. Aos berros no fundo do quintal. Sonhando só, em ser quem nunca foi. Antecipando as noites de verão. E o conforto do desconhecido.”

As três mortes da vida.

Filed under: Uncategorized — Binho @ 3:01 am

PARTE I

“A vida foi encontrada bêbada. Feito uma prostituta fumando Derby. Sua preta maquiagem escorria diante das lágrimas. Estava acabada emocionamente. Apanhou de alguém certamente. Soluçava. Escorria a mancha do lápis preto por toda o seu rosto. Não conseguia dizer nada. Apenas olhava o vazio de uma rua deserta. Iluminada com aquela luz alaranjada que ninguém enxerga nada direito. Tragou profundamente desta vez. Era sobre uma calçada, num inverno, sobre o paralelepipedo. Estava completamente acabada. Não dava pra reconhecer. Cavou um abismo na sua alma em silêncio. Buscou o fundo do poço num vazio do copo. Embebedou a tristeza. No final, quando a luz do cigarro a preencheu de uma certa compreensão existencial, ela sorriu. E disse: ” –  Está bonita a noite”.

 PARTE II

“A vida bate na porta. É alta. Com pernas compridas. Perfumada. Esguia. Seu cabelo não é liso. Ondula feito o outono. A tez de seu pescoço é fina. Deve desmanchar na mão ao tocar. Seios tortos. Voz suave. Olhos que parecem um abraço. Sorriso que nunca vi. Mas ri no final. Seu tato é frio. Sua calma transparece a paz. A altivez de sua sabedoria silência os cães. Nesta madrugada a vida bateu na sua porta. Ninguém estava esperando. Surgiu do nada. Não havia assunto a ser tratado. Bastou um simples: “Como vai?”, pra ela se virar e partir. Deve desprezar a resignação. Indiferente a felicidade. Ela caminha sob a sombra. Se equilibrando sobre os paralepipedos. Aqueles em que há manchas de sangue. Do sujeito que se jogou do décimo terceiro andar, e se espatifou no chão. Tornando suas memórias um asco a ser pisado. Pela vida. Diante da morte.”

PARTE III

“Era o último dia do mês de uma primavera. Época de reprodução das flores. Lá estava a vida. Num descampado. A planície eterna e sem fim. Abarcando o imenso universo de delícias em seu coração. Preencheu todo o espiríto de perfume. Folhas suaves. Nada mais perfeito que as flores desabrochadas. Ela correu. Caiu rindo. Feito uma idiota. E ria. Se divertia. Rolava na verdejante grama orvalhada pelas gotículas do sereno da noite anterior. Pura felicidade. Num dia de sol. Só.”

 

 

junho 6, 2013

Climbing up the walls

Filed under: Uncategorized — Binho @ 12:08 am

“Perdi a vontade de escrever. Escrevi tanto tempo e tantas perspectivas que não me bastam mais. A arte de viver em silêncio. A arte de percorrer as calçadas tortas do espírito rastejando no chão. Tropeçar no meio fio e sorrir. Desconstruir tudo o que está em nós. Certa vez, partilhei todo o meu eu despedaçado. Alguém exclamou: “- O amor existe!”. Juntou cada parte e ajudou a colar o meu estômago. Meu pescoço e minhas pernas. Minha voz. Foi tudo um breve sonho. Um quebra-cabeça de cinco mil peças. Quando estava na metade, desistiu. Porém, despedaçou novamente. Estilhaçou. E por fim ainda me disse: “- Os cacos serão recolhidos!”. Viver não basta. Tem que haver mais. Algo mais profundo que um rosto apenas. Imagina a vida escorrendo como um rio. Onde irá parar? Certamente na morte. Na biela do ônibus. No cais do porto que nunca vimos. Na ribanceira que tem perto de casa. Na criança debaixo do chuveiro lavando a barriga quinhentas vezes. A arte é apenas uma companhia. Você tá mal? A arte te abraça. O contrário é entretenimento. Que não deixa de ser uma tristeza sentada na mesa do bar. Pra fora de casa. Sem as chaves. Esperando alguém chegar.”

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