O Corte do Zumbi

janeiro 22, 2014

Acordo

Filed under: Uncategorized — Binho @ 3:44 pm

Acordo.

Existe vida e a tristeza. E há o dia. Comum. Perene de ser o dia. Perfeito feito o café quente. O leite morno. O pão crocante. A manteiga. E a solidão.

Estou cansado.

Por muito tempo dialoguei com todos. Muitos me consideram como um amigo. O que mais surpreende talvez na humanidade. É a capacidade de se revelar humana.

Desânimo.

Tomo fôlego. Penso. Devoto em mim forças exauridas. Pois o “Eu” não existe sem o outro. E quem não é uma merda? Eu desconheço.

Tristeza.

Talvez o fato de vivermos durante tanto tempo. Delineando a verdade. Nos forja o abandono. A merda. O tempo ganha.

Velhice.

Meus cabelos são fortes. Raízes profundas. Negros feito as retinas de um Cavalo. Porém é na escuridão que nossas luzes feéricas resplandecem.

Caminho até o trabalho.

Existo. Continuo. Oito horas a fio. Peço que me esqueçam por favor.

Existo.

Na noite anterior li algumas cartas. Nada me afeta. A não ser aquela pequena miséria: o Amor. Ela e nenhuma outra. Permaneço fiel a perspectiva da solidão.
Completei todo o ciclo. Insuportável. Sinto não pertencer a nenhum lugar. Os sentimentos atrasam. Tenho cem anos e o parafuso da porta do meu armário se soltou. É necessário fazer um enxerto na madeira. Corto um Castilho com um milímetro menor que a profundidade do furo. A cola de madeira cura em vinte quatro horas. A epóxi demora menos. Cianoacrilato é rápido. Em 5 minutos conserto um problema. Vou até a cozinha bebo um copo d’água. Não faz diferença. É só mais um copo desses que beberei a vida inteira. Olho a torneira pingando. Nada dura pra sempre. Como irei morrer? Abro a geladeira. Penso no que devo fazer. Nessa encaro a minha vida. Como se fosse um espelho. A sombra. Penso em visitar a velha chácara do meu pai.

Havia uma árvore frente a casinha simples. Uma gigantesca sombra na varanda. O ar fresco que não cessa nunca. Manga coração de boi. Cana-de-açúcar. Não era uma plantação, simplesmente algumas distribuídas no terreno. Decepava nos dentes a casca. Mascava. Geralmente as que têm flor são as mais docinhas. Observo a árvore a frente. A casinha de joão de barro que sempre existiu. Nunca vi. Dizem que ele mata sufocada a esposa na própria casa de barro. Lanço pedras pra ver se destruo a casa. Indiferente. Aquela merda não cai!

Volto à estaca zero. Estou na sala. Sinto o desprezo percorrer a televisão. Mudo de canal. Me deito no sofá de duas poltronas. Sou maior que ele. As pernas ficam sobram sobre os apoios. Olho meus pés. Quanto tempo se passou desde a última vez que a vi? Gostaria saber o que teria a dizer. O errado sempre fui Eu. Disse palavras de mais. Sempre sorri. Como se fosse a desilusão de um dia. Nessa, ela não perdoou. Alguma coisa faltou ao medo. Tempo curto demais pra deixar secar as resinas da desconstrução.

É tarde pois o sol já se foi. O mesmo sol que permeou os dias felizes de minha vida. Ainda sou feliz. Mas com sol, eu era mais. Não sou feliz. A felicidade é apenas um momento. A perfeição é somente um momento. E tudo que possamos esperar dela é somente um instante. Não existe felicidade. Primeiro verso dos Eclesiastes: “Tudo é vaidade, tudo é vaidade”. O que sou?
Existe um peixinho beta que alimento. Ele vive num aquário. Ele não existe. Vive dentro de mim. Duas bolinhas ao amanhecer. Duas bolinhas ao anoitecer. Diferente da maioria dos animais. Não há som. Um grito sequer. Quiçá uma sábia palavra. Toda sua vida consiste no olhar. Olho-de-peixe. Morto. Fixo. Espiritual. Certa vez pensei em fugir de casa quando moço. Ele se virou até mim. Encarou fixamente meus olhos. A eternidade dura um segundo apenas. Desisti.

Deito na cama.

Durmo. E que sono!

Sonho.

Nesta estou nadando numa piscina. Alguém me persegue. Nado até a borda. É uma mancha. Com muita força saio da piscina. Parece uma neblina. Está embaçado. Corro. Olho pra trás diversas vezes. Quer me matar. Ando rápido. Não aguento mais fugir. Esse vulto me encontra. Me desespero. Só há paredes. Não tem como escapar. Uma presa acuada e imensamente com medo. Esse ser é verde musgo. Lodo talvez. E como disse embaçado. A foice ataca.

Acordo.

Não há ninguém em casa. Escuto o barulho do compressor da geladeira. Lembro que deixei um pedaço de lasanha sobrando. Esquento no micro-ondas. O queijo derrete. Corto uma gigantesca fatia. Estou com muita fome. Coloco no prato. Azeite. Mostarda. E devoro.

Como.

A comida é uma paz. As cores voltam. O tempo fica leve. Meu corpo relaxa. Acendo um cigarro.

A janela está aberta.

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janeiro 21, 2014

Invisivisivisvisivisivisibilidade

Filed under: Uncategorized — Binho @ 10:09 pm

Todo mundo nasce numa cidade qualquer. Pequena em seus carrinhos de pipoca depois da missa. E imensos corações daquele vilarejo. Certa vez essa cidade estufou o peito, levantou da cadeira e viu a tarde passar naquela vendinha que é caminho pra comprar pão de manhã. Ninguém notou. Porém, nos sentimos obrigados a devolver aquela rua que esquecemos o nome.

Moi

Filed under: Uncategorized — Binho @ 10:03 pm

A vida de um filho da puta. Escreve filha da putagem. Ama as onze da noite. Despreza as seis da tarde. Uma hora depois está novamente sendo um fraco. Covarde. É um filha da puta mesmo.

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